quarta-feira, 29 de maio de 2013

minha infância

Bom gente,nem sei como começar,estou apanhando muito por aqui pois nem sequer tenho o hábito de acompanhar bloggs.
 Ja adianto a voces não sou letrada,estudei até os 13 anos de idade então não esperem muito de concordancias  gramaticais ou vocabularios pragmáticos.
O intuito deste é compartilhar experiências,que talvez ajudem a iuminar o caminho de muitos que como eu se sentem confusos ,não acreditam em religiões porque temos o bom senso de saber que elas são manipuladas pelos homens que dela fazem uso para beneficios próprios.Não que eu seja contra os que acreditam,pois acredito em um ser EXTRAORDINARIO ,responsavel pela minha existência,o nome muitos dizem ser DEUS  eu chamo de  de PAI.
Mas para contar a minha estória preciso voltar no tempo,para uma pequenina cidade no interior do RgSul,ela se chama Piratini,para quem não conhece foi a primeira capital do RgSul, época da guerra dos farrapos e coisa  e tal.
Bem ,chega de enrolação vamos lá.
Nasci numa família de 4 filhos,eu era a caçula; 3 mulheres e 1 irmão.éramos muito pobres moravamos em uma casa de barro com um comôdo único num terreno que pertencia a prefeitura. .No espaço que chamavamos de cozinha apenas um fogão feito de barro  com as mãos pela minha própria mãe,no quarto uma cama de casal     e uma de solteiro,nossas roupas eram guardadas em malas velhas em baixo da cama.O pouco espaço que sobrava era apenas para circularmos.Naõ tinhamos agua encanada,nem luz elétrica. A agua era trazida de uma bica em latas enormes,a luz era de lampião a querosene.
Tomavamos banho de bacia...., no verão era divertido  colocavamos a bacia atras da parede da casa  e aproveitavamos para nos refrescar,no inverno  rs...era necessario cobrir as frestas  com papeis por onde entrava o frio e o vento gelado do minuano e aquecer a agua no fogão,o banho tinha de ser rapido porque senão a agua congelava muito rapido.Lembro que aos 5 anos de idade adorava subir morros me embrenhar nas matas com minha mae ,minha tia e minhas primas para juntar gravetos  e lenha para o fogão .Era divertido ir; a volta é que não era pois voltavamos  com enormes feixes nas costas ,muitas vezes maior do que o suportavel,mas era necessario aproveitar cada ida pois as distancias eram quilometricas  e corriamos o risco do dono da propriedade nos expulsar
Lembro com saudades..... minha mãe pegava uma meia e esfregava minhas costas,com um sabão que ela mesma fazia em casa,não tinhamos shampoo,não conheciamos pasta de dente nem escova dental,lavavamos os dentes com o mesmo tipo de sabão que lavava-se as roupas e que se tomava banho,não se assustem isso era comum nas casas de nossos iguais.Depois de me secar minha mãe penteava meu cabelo ruivo e me olhava sorridente e feliz,seus filhos eram saudavéis e limpinhos.
Ela era pobre e ignorante não sabia ler nem escrever,mas sentia-se orgulhosa pois todos os filhos estavam na escola e um dia seriam alguem na vida.Trabalhava nas casas das familias mais abastadas da cidade.Seu trabalho era fazer qualquer coisa: faxinas,trabalhava na lavoura de sol a sol ,lembro que as vezes voltava com a pele em brasa e com as mãos sangrando,mas voltava feliz com um pequeno pacote de arroz,vez outra com um pedaço de carne.O pagamento dava  sempre para um quilo de alguma coisa.As vezes vinha com 2 pacotes um era o que o dinheiro podia comprar outro eram sobras de alguma casa onde ela havia trabalhado.
Voce deve estar se perguntando...cade o pai?
Minha mãe era mãe solteira ,tinhamos  3 pais,a unica que conheceu o pai fui eu.
Lembro vagamente,nem mesmo lembro o nome.Apenas lembro de um homem que me  encontrava na cidade e me dava dinheirinho para comprar balas .Anos mais tarde fiquei sabendo por meus irmãos mais velhos que ela havia descoberto que ele era casado então colocou-o pra correr a tiros.Aos 7 ou 8 anos de idade vi as marcas de bala na porta e então soube do acontecido.


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